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ENTORSITIS AGUDA

Um grupo de portugueses habituados às lides do atletismo de estrada, decidem, com mais olhos que barriga, ou melhor, com mais olhos que pernas, correr a já célebre "Maratona de La Habana", competição anual que se realiza na Capital Cubana.
Esquecendo-se da idade, do cansaço da viagem e do clima, não tiveram pedalada para mais de meia-maratona e até se pode dizer que nem tudo correu mal, pois dentro do seu escalão ficaram razoavelmente bem classificados.
Mas um deles acabou mesmo a prova de rastos, com um pé inchadíssimo, tendo de imediato sido assistido pelos serviços médicos que prestavam a cobertura sanitária, preocupando os restantes companheiros, pois já se viam na contingência de terem de transportar o Joaquim ao colo, pois este contorcia-se com dores alucinantes, de nada lhe valendo o gelo, as massagens e as pomadas que entretanto lhe iam sendo aplicadas. Mas, para espanto de todos e após umas quantas horas repousantes, Joaquim ultrapassou tudo o que de mal existia, quando à noite se viu confrontado na Discoteca Turquino do Hotel Habana Libre com o bambolear de uma cubana atrevida que lhe tratou de forma exemplar do pé magoado, conseguindo que Joaquim pudesse dançar "salsa" até de madrugada. Se aquilo era entorse operou-se o milagre e a Medicina Desportiva deverá rever todos os seus processos de recuperação de atletas magoados.


O SIGNIFICADO DA PALAVRA "PINGA"

Em plena "Bodeguita del Médio" 3 portugueses acompanhados por amigos cubanos, confraternizam à volta dos célebres "Mojitos" quando um dos cubanos, conhecedor dos vernáculos de português pela sua passagem por Angola, aconselha em tom de voz sussurrante que uma das palavras a evitar em Cuba seria o termo "PINGA" que em Portugal é muito utilizado, mas que em Cuba é usado para definir de forma maliciosa o órgão sexual masculino. Como um dos portugueses não tinha escutado bem, resolve repetir a palavra não de modo sussurrante mas em tom bem alto e de forma audível, tendo originado uma gargalhada geral pela forma como os cubanos presentes fizeram silencio e se voltaram com ar reprovador para o nosso amigo e colega de viagem, não sabendo este onde se havia de meter, depois de saber o significado do que acabara de proferir.


RETENÇÃO URINÁRIA

Após quase um ano de preparativos, um Grupo Coral viaja para Cuba com um programa extremamente apertado de visitas, encontros, actuações, recepções e até com a participação no grandioso desfile por ocasião do 1º de Maio, creio que de 1994. Mas, para além das numerosas curiosidades, quero destacar uma das que pessoalmente mais me tocou, pois deparei-me com uma situação fora do vulgar e um pouco complicada. Por razões de ordem operacional da Companhia Aérea (Ibéria) saímos de Portugal ao fim da tarde e pernoitámos no Hotel Diana em Madrid. No dia seguinte, saímos de Madrid com escala técnica e mudança de avião na República Dominicana e em pleno voo com destino a Havana - talvez dos que até hoje com mais turbulência apanhei - chamam-me para ver o que poderia fazer com um dos elementos do grupo que se contorcia com dores, pois já não urinava desde a saída do Seixal, ou seja, há mais de 24 horas. Como a idade do nosso amigo (mais de 60 anos) me obrigava a ter cuidados especiais, não só com ele mas com quase todos pois a média da faixa etária era elevada e nunca tinham andado de avião, tentei acalmá-lo e decidi que assim que o avião aterrasse em Havana teria de solicitar uma ambulância para o mandar de imediato para o Hospital, a fim de lhe resolverem a retenção urinária de que padecia. Qual não foi o meu espanto quando, à saída do avião em plena pista do aeroporto de Havana a retenção urinária deu lugar a um charco quente e amarelo que quase parecia terem as praias de Varadero sido transferidas para ali.


NUNCA DIGAS DESTA ÁGUA NÃO BEBEREI

Um amigo meu de há muitos anos, pessoa com quem sempre mantive relações pessoais e políticas, sempre foi um pouco crítico em relação ao sistema cubano e por isso a sua relutância em me acompanhar por motivos profissionais à maior Ilha do Caribe. Após uma semana de estadia, começou a compreender as realidades e a gostar cada vez mais do clima, da paisagem, da música, das noites, das pessoas, etc. não mais deixando de viajar para lá, pese embora o facto de os nossos objectivos profissionais não terem evoluído de maneira satisfatória. Mas, qual pássaro que poisa e levanta bicando aqui e ali, o nosso amigo está hoje formalmente casado com uma cubana que certamente lhe proporcionará a felicidade e a tranquilidade que ele tanto procurava e que pelos vistos em Portugal não encontrava.


HOSPITALIDADE CUBANA

José e Cláudia banhavam-se numa das Praias a Este de Havana, quando comentam que a temperatura do ar estava um pouco fria e que seria bom terem um pouco de rum para aquecerem Sem se darem conta e a cerca de 10, 15 metros, uma senhora cubana de meia idade escutou-os e perguntou-lhes se queriam um "trago". Tendo respondido afirmativamente e sem saberem o que se iria seguir, a senhora, que se encontrava com água pelos joelhos acompanhada de uma criança - provavelmente sua neta - chamou o marido, pedindo-lhe para trazer a "botella" passando-a aos nossos amigos para que tomassem o rum que desejassem. Após saciados e estupefactos devolveram a garrafa agradecendo, tendo a simpática senhora desaparecido sem pedir nada em troca, mas deixando os nosso amigos boquiabertos por tão inesperada e oportuna oferta.


AS PILHAS DO ANTÓNIO

António, português de visita a Cuba integrado num grupo turístico, todos os dias aparece pela manhã, ao pequeno almoço, com as "pilhas" carregadas, dizendo que vai arranjar uma namorada cubana. Durante o dia as pilhas vão-se descarregando e as oportunidades fogem-lhe entre os dedos, dando inclusivamente origem a alguns comentários menos próprios em relação às suas tendências sexuais Certo dia, claro que pela manhã, enche-se de coragem e quase faz uma declaração amorosa a uma das guias cubanas destacadas para acompanhar o grupo. António, já de beiço caído, convida a simpática guia para no dia seguinte acompanhar o grupo numa excursão a Varadero. Ela aceita e o António passa todo o dia e noite pensando no que poderia ser aquela viagem às praias de Varadero, provavelmente o início de uma forte relação amorosa em terras tão distantes das suas. O dia seguinte chega, o autocarro vai quase cheio com os restantes elementos do grupo, comenta-se que hoje será um dia especial para o António, as expectativas vão aumentando à medida que se aproximam do local combinado para recolher a tão desejada guia, até que António tem talvez uma das suas maiores decepções da vida: ela aceitou, mas vem acompanhada pelo marido e pela filha. Nesse dia e nos dias seguintes não mais se ouviu uma palavra do pobre António, não tendo voltado a recarregar as pilhas.


DO HOTEL PARA O FOGÃO

Alberto, de viagem oficial a Cuba, deixa-se encantar por uma morena, esbelta e de medidas próprias de um manequim, tendo passado uma alegre noite no "Palácio de la Salsa". Mas como a noite convidava e seria um desperdício terminá-la por ali, Alberto decide que o aconchego da sua cama no Hotel Nacional seria certamente o palco ideal para satisfazer os seus desejos despertos pela simpática morena. O que se passou entre as quatro paredes não se sabe, o que se sabe sim é que Alberto, na manhã seguinte estava com um sério problema: a morena, de tão bem que se sentia, não queria sair do quarto, dizendo-lhe que esperaria ali por ele todo o dia. Alberto já não sabia que fazer para pôr fim àquela relação fortuita de uma noite e estava mais que atrasado para uma recepção oficial. Desesperado fez telefonemas, prometeu este mundo e o outro, pensou até em a matar, até que ao fim de mais de duas horas conseguiu convencê-la a sair do quarto a troco de 100 dólares para um fogão que a pobre morena tinha necessidade de comprar. Não se sabe se este episódio serviu de lição ao galanteador ou se, por outro lado, já montou uma fábrica de fogões.


MÉDICO DE FAMÍLIA

Marta, de férias em Varadero, faz um entorse num pé e recorre a um médico de família perto do Hotel onde se encontrava, acompanhada por mais três companheiras de viagem. Após breve consulta, o médico - que segundo os relatos não era nada de deitar fora - manda o enfermeiro fazer um tratamento com pomadas e imobilização do pé lesionado. Como Marta não podia andar, o enfermeiro - que também era bom - leva-a de bicicleta ao hotel, recomendando-lhe que voltasse para novo tratamento.
Parece que no dia seguinte uma outra companheira teve também um problema de saúde, que ainda hoje se está para saber qual, e que todas elas voltaram para receber assistência médica e de enfermagem, nada pagando pelos cuidados prestados, a não ser daí ter surgido pelo menos uma forte amizade que por certo vai perdurar no tempo e na memória de cada uma delas, principalmente nas que tiveram acesso aos "tratamentos".


VELHOS SÃO OS TRAPOS

Por norma e devido à hora de chegada do avião a Havana (21H00 locais - 02H00 em Portugal), sempre foi meu costume encaminhar os grupos para o respectivo Hotel e após distribuição de quartos já não sair, pois todos chegamos cansados depois de praticamente um dia inteiro de viagem. Mas há sempre excepções e a pedido de uma das participantes com mais de 60 anos que viajava sozinha, lá se formou um pequeno grupo para ir a um restaurante típico jantar, mais concretamente ao "El Ranchon". Quando terminámos, estava já eu morto de sono e cansaço, sugerem-me ainda terminar a noite numa discoteca, ao que contrariado acedi por consideração e simpatia, lembrando-me do Papa's na Marina Hemingway. Imaginem só, quando a "velha" que bebeu mais rum numa noite do que eu costumo beber em uma semana, saltou e pulou até de madrugada, querendo a toda a força arranjar um noivo para essa noite. A idade realmente só está no BI, pois o espírito e a vitalidade é que contam. Mais tarde vim a saber que voltou a Cuba e que finalmente descobriu o tão desejado noivo, vindo a casar-se com um moreno 30 anos mais novo do que ela e que vivem felizes e contentes em Portugal


SIMPLES "REGALOS"

Há quem diga que se pode reconhecer um cubano em qualquer aeroporto do mundo quando este está de regresso ao seu País, pois transporta tantos sacos, malas e caixas, que dificilmente consegue andar com tanto peso. Numa das minhas solitárias viagens tocou-me ao lado uma simpática senhora dos seus 70 anos, que me foi contando que tinha ido visitar os filhos, um no Canadá, outro em França, outro em Espanha, etc. estando agora de regresso à sua terra natal após uma ausência de 5 meses. Até aqui tudo bem, até que ela, já mais íntima após tantas horas de conversa durante o voo, me pede para a ajudar a passar umas coisitas na alfândega, pois como estrangeiro não seria incomodado pelas autoridades locais. Claro que me esquivei a tal pretensão, mas qual não foi o meu espanto quando ela arregaça as mangas do vestido e me mostra mais de 20 relógios em cada braço, dizendo que eram apenas "regalos" para a família.


BATATAS

Numa das minhas viagens de carácter oficial a Havana acompanhado por outros dois colegas de actividade autárquica, decidimos tirar um dia do nosso vasto programa para visitar Varadero. Ao chegarmos aí, alugámos uma "acelera" para cada um a fim de podermos percorrer os cerca de 20 km de extensão da península. Com um calor intenso encontrámos uma pequena jangada transformada em bar, flutuando junto à Lagoa dos Golfinhos, que nos pareceu o local ideal para uma pequena paragem e para nos refrescarmos com uma bebida. Quando nos levantámos e fomos pagar, oferecemos como recordação uma simples esferográfica a cada um dos dois empregados, que nos "obrigaram" a sentar pois queriam retribuir à sua maneira a nossa delicadeza. Condescendemos e após alguns minutos, apresentaram-nos um prato de batatas - não sei se salteadas se fritas - com um molho especial, que não mais me saiu da memória pelo seu delicioso gosto. Talvez a simplicidade, o gesto ou a forma como fomos tratados tivessem aguçado as nossas papilas gustativas, mas o que é certo é que não mais esquecemos aquelas batatas e os nossos simpáticos amigos.

ASSALTO!?

Numa das noites de Havana, alguns elementos de um grupo solicitaram-me que os levasse ao "Copélia" em Vedado, pois para além de se quererem integrar na vida quotidiana, queriam provar os tão afamados gelados que ali são servidos. As instalações estavam cheias, a esplanada a abarrotar e só ao fim de algum tempo conseguimos um espaço livre para nos sentarmos. Todos eles puderam desfrutar da tropical noite, confraternizar e conversar com famílias cubanas, enfim, passaram agradáveis momentos num ambiente característico de Havana, onde predominam os residentes e raramente se vê um turista. Já de madrugada (2H00 da manhã) resolvemos tranquilamente descer a pé a Calle 23 - mais conhecida por Rampa - quando, um dos elementos que se havia separado dos restantes, a Maria, é interceptada num local menos iluminado por um sujeito que a aborda de uma forma inesperada. Todos nos assustámos pensando num assalto e corremos em seu auxílio, mas logo se dissiparam as dúvidas quando o cubano apenas pede licença para oferecer uma flor à Maria, desejando uma boa noite e uma feliz estadia no seu País, desaparecendo logo de seguida e não dando sequer tempo para os devidos agradecimentos.


COMPENSAÇÃO

Três amigos vão a Cuba e dois deles gostam de tomar o seu copito, especialmente se for de rum (Anejo - 7 anos) após as refeições. Quando saíram de Portugal haviam combinado que as despesas seriam sempre a dividir pelos três, independentemente daquilo que cada um comesse ou bebesse. Um deles, o mais velho, não podia beber por problemas de saúde, mas sempre foi dizendo que isso não importava, pedindo sempre às refeições entradas de marisco e acabando com saladas de frutas. Até aqui tudo bem e sem que os outros suspeitassem ou interferissem nos seus desejos, o nosso amigo apanhou um desarranjo intestinal pela mistura de tanto marisco e salada de frutas, que o reteve dois dias acamado no Hotel. Só mais tarde viemos a saber que afinal o "consumo" desmesurado dele era para compensar os "Anejos" dos outros dois.

 
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